Um dedo de prosa sobre o filme: O menino do Pijama Listrado.

As produções a seguir foram desenvolvidas pelo 7o ano do Ensino Fundamental da Escola Dr. Tufi Dippe. Como base motivadora, assistimos ao filme "O Menino do Pijama Listrado"  que tem a Segunda Guerra Mundial garantindo uma carga emocional ao enredo.


Cá estão os autores:





Uma lição de vida
Autores: Zanúbia e Israel

“O feitiço voltou contra o feiticeiro”. Pode-se dizer assim, porque o pai de Bruno é um feiticeiro mesmo, e dos maus. Com sua maldade, ele matou seu próprio filho. Matar judeus com gás lacrimogênio, colocá-los em um campo de concentração nazista, torturá-los... Quem faz isso não merece a vida que Deus lhe deu, é errado o que o pai de Bruno estava fazendo, e muito cruel... Espero que ele tenha aprendido a lição com a morte de seu filho e pare de ser racista e matar pessoas.



A crueldade de um soldado alemão
Autores: Monique e Isaque

É possível apontar crueldade no trato com os judeus quando um velho homem coloca vinho na taça dos soldados e acaba derrubando e sujando a mesa. Com muita ira, o soldado bate tanto nele que ele acaba morrendo. Também na parte em que o menino judeu conversa com Bruno e pede um pedacinho do doce. Bruno deixou, mas quando o soldado viu, deu-lhe uma surra. Já pensou se fosse sempre assim? Se nós derrubássemos algo por acidente e nos matassem? Sendo judeu ou não, não deixamos de ser humanos. Podemos ser diferentes, não concordar com as mesmas opiniões, mas todos temos sentimentos.



A surra do menino judeu por um pedaço de bolo
Autores: Carla, Diego e Suelen

Bruno não foi compreensível, ele poderia ter assumido que conhecia o menino judeu livrando-o de apanhar. Bruno poderia ter sido menos covarde e poderia ter encarado o fato de que sua resposta prejudicaria seu amigo. Mas, Bruno tinha seus motivos, pois nunca havia visto um soldado de seu pai agir daquela forma e por isso ficou com medo dizendo que não conhecia o menino judeu.


A amizade entre Bruno e o menino judeu
Autores: Alessandra e Gabriela

Esse filme é interessante para famílias que têm a mesma ascendência que o Bruno e sua família alemã. O filme mostra a amizade entre Bruno e o menino judeu que, apesar de tudo, Bruno estava disposto a ajudar a procurar o pai do menino dentro do campo de concentração, o que seria muito arriscado.   Não importa a raça nem cor, não se deve ser tão cruel quanto o pai de Bruno e seus soldados, que maltratavam os judeus em nome do amor à sua pátria. Neste filme se encaixa o ditado que diz que o feitiço um dia pode virar contra o feiticeiro.

A diferença entre Bruno e o menino judeu
Autores: Nelson e Carolaine

O menino judeu era maltratado e escravizado num campo de concentração nazista sem amigos para brincar. Era careca e usava uma roupa listrada que parecia um pijama; andava sujo e tinha pouca comida para se alimentar. O menino alemão tinha comida, andava sempre limpinho com roupas novas, com uma boa casa para morar.  Bruno não tinha as mesmas intenções que seu pai, queria ajudar Shimu, mas acabou morrendo sem saber o real motivo de viverem naquele lugar.

Os maus tratos contra os judeus
Autores: Letícia e Kayo

Os nazistas diziam que os judeus mereciam sofrer porque eles eram diferentes, de raça inferior. E também falavam que os judeus não prestavam.  O pai de Bruno dizia que os judeus não davam valor à cultura e que eles eram animais. Também dizia que os judeus eram cruéis, que eram inimigos, vermes e porcos. Judeus são como todos; eles têm o direito de serem respeitados, amados e serem livres para fazerem o que quiserem.

O segredo nazista
Autores: Kamila e Daniel

A mãe de Bruno não poderia contar para ele que estavam morando perto de um campo de concentração nazista. Ele não iria entender o que era aquilo e ficaria traumatizado pelo que acontecia naquele lugar. Ela não contou também porque não queria que ele ficasse como o pai: alguém que maltratava as pessoas. 

Bruno deveria ter contado a verdade
Autores: Hellen Cristina

Quando o menino judeu estava limpando os copos, Bruno o vê e dá algo para o menino comer. Chega um soldado, que era cruel e covarde, dizendo para o menino que ele estava roubando, mas o menino disse que havia recebido de Bruno. O soldado perguntou para Bruno se era verdade, mas Bruno disse que não. Bruno deveria ter contado a verdade, pois seu amigo apanhou por sua covardia.


Características das crianças envolvidas
Willian e Laelson

Bruno era amigável, brincalhão, gostava de natureza. Era um bom menino, não maltratava os judeus, era uma criança inocente por não saber o que estava acontecendo na casa em que morava. Ele queria fazer amizade além do preconceito que existia contra os judeus.


O menino judeu era um menino bom, mas não era considerado assim pelos alemães. Por ser judeu era maltratado, escravo dos nazistas, ele gostava do Bruno, um menino que conheceu quando estava no campo de concentração nazista. Ele não merecia estar lá.

Fatos da Segunda Guerra Mundial
Pesquisa de Nathaly e João

A segunda guerra mundial foi a guerra mais abrangente da história. Foram 110 milhões mobilizados, dos quais 50 milhões de mortos e 28 milhões mutilados. De cada três pessoas mortas, duas eram civis. Durante a segunda guerra mundial, as mulheres americanas entraram na força do trabalho em números sem precedentes em fábricas.

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Você já incitou alguém à violência?

É comum observarmos comportamentos semelhantes na escola, gente que adora ver uma situação conflituosa acabar em briga. Qual é o seu posicionamento, você tende a apaziguar os ânimos e persuadir à tolerância ou grita "Joga pedra na Geni!"



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Desfile Fundindo Arte Barroca e Materiais Recicláveis

Professora orientadora: Maria Cristina dos Passos. -------------- Turmas envolvidas: 2os anos da Escola Dr. Tufi Dippe

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PERFIS DE ADOLESCENTES

 Escrevi sobre ela, ela sobre mim


"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã"
Renato Russo

"O amor e a verdade estão tão unidos entre si que é praticamente impossível separá-los. São como duas faces da mesma medalha."
Gandhi


Lívia fala de Raquel

Quando a gente gosta, gosta e pronto, não é real? É assim com minha amiga Raquel: uma errante! Petulância a minha julgá-la assim, sendo que eu própria teria uma big lista de defeitos, mas é que ela vacila com relação aos caras com quem ela... ela já iniciou a vida sexual, sabe. Mal conhece e logo transa com o cara, ou conhece há tempo e por acaso decide numa festinha de última hora apenas dar uns beijos, mas acaba não conseguindo se segurar e acaba na cama com o cara. Isso aconteceu com um amigo de infância dela, o Sundae. 

Sundae era namorado da Pati, outra amiga muito querida da nossa sala. Desde pirralhos, a Pati e o Sundae diziam um ao outro que seriam namorados: aos doze se beijaram, aos 14 transaram e aos 15 ele chegou à Pati e comunicou que estava enjoado daquele longo namoro e que já era tempo de terminar aquela chatice. Quando a Raquel transou com o Sundae, a Pati ainda chorava e muito sofria pelo Sundae. E menino adolescente, quando transa com alguém, já sai logo mundo afora gritando “Peguei a oferecida!”, a escola I-N-T-E-I-R-A ficou sabendo da transa, e é claro, a Pati também. 

Nossa sala ficou chocada com a atitude da Raquel em transar com o grande amor de uma amiga, até porque a maioria das meninas da nossa sala é virgem. Foi traumático para todos nós. Ninguém sabia ao certo como agir com a Raquel; acabamos ficando sem falar com ela. Ninguém combinou isso, o silêncio aconteceu por si só, acho que foi um gesto de consolo à Pati, que tanto sofreu. Mas a Raquel surpreendeu com sua postura segura de si, ela que é loira e tem os seios ENORMES que até parecem mega silicones de atriz pornô. O fato é que ela não se deixou abater pelo desprezo e não demonstrou arrependimento em momento algum. 

Raquel se defendeu comentando com alguns amigos que estava meio carente e que o Sundae já não namorava a Pati há quase dois meses. “Simplesmente rolou”, falava sem constrangimentos. Ela não usava um tom de gente besta, se é o que parece. Não, ela apenas acreditava não ter feito nada errado mesmo, ainda que a gente tivesse achado o cúmulo. Foi um comportamento bem adulto, fiquei de cara! Continuou no mesmo lugar de sempre na sala de aula, próxima à Pati, inclusive, esperando a poeira baixar. Quando solicitada que falasse, falava. Senão, ficava na dela, esperando as melhores ocasiões para nos mostrar com ações “Veja, eu transei com o fulano, mas continuo sendo parceira.”. 

De fato, uma parceira sem igual! Ajudava-me nas disciplinas de cálculo explicando sem economia de palavras e, apesar da minha limitação com as exatas, era beeeeeem paciente. Quando eu, submersa em pensamentos ruins e temendo ficar transparente de fragilidade, decidia ficar alguns dias isolada em casa sem aparecer na escola, era ela - a taxada de vagabunda - que me mantinha informada de todos os conteúdos e provas que eu havia perdido. Explicava-me tudo com o maior entusiasmo, muito maior do que alguns professores apresentavam: tudo detalhadamente. Também se interessava por minhas trevas familiares, mas sem perguntas desnecessárias que acabam em fofoca. Ela simplesmente ouvia meus lamentos com aqueles olhos azuis atentos e depois dizia “Que barra, amiga!”. 


Tinha uma maneira delicada de nos mostrar quando estávamos sendo injustos com nossos professores. Sabe como é a maioria dos alunos quando tem seu tempo livre ameaçado pelos afazeres escolares: se não consegue desenvolver uma atividade ou uma pesquisa já entoa uns palavrões e logo atrás uns xingamentos ao professor que propôs aquele “CÔ” de atividade, sempre vista como inútil. A Raquel tinha a bondade de nos lembrar as dicas que o professor dissera no dia da proposta da atividade e os passos a serem seguidos, segundo o (a) professor (a). Assim, ela conseguia que os professores fossem absolvidos pelos pentelhos de plantão, contrariando a nossa rebeldia sem justa causa. 

Espero ter conseguido destacar os traços mais marcantes de Raquel, a quem tanto estimo, apesar de algumas imoralidades, será que isso existe? Nós mulheres temos que nos unir e não nos denegrir. Posso acreditar que a pessoa mais otária daquela história do início do texto tenha sido o Sundae, quem contou a todos o que aconteceu na sua intimidade. Em Língua Portuguesa, quando aprendemos sobre gênero dramático, lembro-me da professora falando de um tal Nelson Rodrigues, considerado por suas histórias e comportamentos como um “anjo pornográfico”. Achei perfeita a definição e vou usá-la para me referir à Raquel, minha parceira. Raquel é meu anjo pornográfico.

Raquel fala de Lívia

Não é tarefa fácil falar de Lívia. São as nossas diferenças que me incomodam, mas são elas que me mantêm perto daquela neguinha brava, que tenta esconder a fragilidade e ternura que existe ali naquele coraçãozinho confuso. A Lívia é filha de traficante viciado em crack e cresceu num esquema olho por olho dente por dente.  É claro que ela não sai matando ninguém, mas a intolerância se revela em momentos banais, quando ela logo se enraivece e, na maioria das vezes, sem motivo justo.  Se alguém se esquece de cumprimentá-la no corredor da escola, por exemplo, já é motivo para que todas as 50 vezes que aquela pessoa a cumprimentou sejam esquecidas. Se uma amiga se compromete a emprestar-lhe o caderno e acaba por não poder mais emprestar porque uma prova de última hora é marcada, pronto – a situação é encarada como uma traição sem tamanho. 

Vários outros exemplos eu poderia citar, mas em resumo, digo que o seu cérebro converte situações corriqueiras e normais em repudiáveis afrontas; isso me causa piedade porque é a prova do quanto ela se sente pequenina.  A gíria que eu poderia usar para caracterizá-la é “escamada”, é isso.  Às vezes ela gargalha alto e quer fazer piada em meio a explicação de um conteúdo novo. Ela é mesmo muito divertida, mas quando estamos em sala de aula enche o saco, afinal, depois sou eu que salvo as suas notas explicando tudo que os professores já explicaram. Tudo bem, penso até em me tornar professora um dia, mas isso me toma um tempo danado! 

A explicação do professor parece ter serventia apenas para a sua auto-afirmação, que ela constrói no momento em que faz graça e todos dão risada. A situação vai deixando os professores irritados: nas primeiras interrupções são pacientes, mas a partir da terceira interrupção o fluxo de pensamento já foi estilhaçado e então só resta chamar a atenção da Lívia; ela não retruca quando isso acontece, mas fica de braços cruzados e cara demoníaca encarando o professor até o final da aula. Digamos, então, que essa sua indisposição em ver a situação como um todo e não apenas a sua existência reinante seja o seu grande defeito.  Apesar disso, gosto muito dela e a ajudo com gosto sempre que posso porque percebo que, caso ela não tivesse exemplos tão rudes vindos do pai e da mãe, ela seria muito mais paciente e poderia ser mais justa em seus julgamentos. 

Desde que descobriu que nossa professora de Ciências tem a mesma idade que a sua mãe, projeta uma mãe imaginária naquela professora que aparenta ser jovem e nos apresenta sabedoria e delicadeza em suas declarações.  Tantas vezes durante o ano, Lívia se encostava ao lado de fora da nossa classe assim que batia o sinal para o início da aula de Ciências e assim que a professora se aproximava ela obstruía a entrada da sala com o seu corpo e perguntava “Professora, você pode me dar um abraço?”. Era de cortar o coração. A professora entrava, colocava o seu material na primeira carteira da classe e carinhosamente oferecia-lhe um abraço caloroso. 

Tenho abraços calorosos vindos da minha mãe quase todos os dias e eu não preciso pedir: eles chegam de surpresa; de alguém que me aceita e me ama com minhas qualidades e defeitos. Se eu estiver com problemas, como em um caso grave que aconteceu esse ano quando só faltaram me apedrejar na esquina feito Maria Madalena, corro para o sofá de casa onde abasteço minha calmaria. A mãe de Lívia engravidou dela quando tinha apenas 14 anos, hoje ela não tem nem 30 anos ainda, parece uma mocinha exibindo um corpão violão, além de estar sempre com roupas de grife. É meio que uma patricinha de subúrbio que não se vê como mãe e vive para cultuar sua imagem. Não que toda mãe bonita com menos de 30 anos seja assim, o que quero dizer é que parece haver uma rivalidade entre as duas. Então, quem assume o papel de mãe é a avó; a mãe é como se fosse uma irmã mais velha.  

Há dois anos, aos domingos, ela visita o pai na prisão. Lívia não fala sobre isso o tempo todo, mas quando debatemos em sala de aula nas disciplinas de Língua Portuguesa e Sociologia sobre a legalização da maconha, ela disse abertamente à classe que era a favor da legalização porque foram os lucros da venda clandestina de maconha que seduziram seu pai, eletricista de profissão, à vida fácil. Comentou sobre a inteligência do pai e sobre a pequena fortuna acumulada enquanto praticava o tráfico.

Lívia fala mesmo o que pensa que deve ser dito, tem um jeito irreverente de ser – é quase uma artista. As gargalhadas que ela nos arranca fazem com que ela se sinta aceita e amada. Sou bem diferente, mais calada e séria, deve ser a origem russa. Já os afrodescendentes são mais falantes e musicais, deve ser por isso que gosto tanto da sua presença – ela me completa. Inclusive, a Lívia é guitarrista de uma igreja evangélica, parece que foi um cara de uma banda de rock que fundou essa igreja, onde tem um monte de doidão tatuado e de piercing. A vivacidade de Lívia, apesar de todos os dramas que viveu e ainda vive, é admirável. É o que fica e o que deve ser citado para finalizar esta declaração de amizade.

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Análise do texto:


1)Qual ação de Raquel fez com que toda a turma deixasse de falar com ela?


2)Como a classe deveria ter agido em sua opinião?


3)Por que foi tudo tão difícil para Pati?


4)Para a surpresa da classe, qual foi a reação de Raquel?


5)Como justificar a expressão atribuída por Lívia à Raquel como "anjo pornográfico"?


6)Segundo Raquel, Lívia é intolerante em certos momentos. Transcreva exemplos citados por Raquel.


7)Como Raquel justifica o comportamento hostil de Lívia?


8)Quais situações, com relação à Lívia, incomodam imensamente os professores?


9)Deixe um recado à Pati.


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O TOM DA INDIGNAÇÃO

    Quem se beneficia com o FUNDEB?


Na última segunda, o governador Raimundo Colombo esteve em Joinville a convite do Sr Darci de Matos para receber o título de sócio honorário da Acats. Assim que soubemos, nós - professores grevistas da região de Joinville - dirigimo-nos à Expoville para, no mínimo, uma pressão visual com faixas sobre nossas reivindicações que não vão além do piso, como é dito no comercial. Conseguimos um contato verbal.

Inicialmente apareceu Tebaldi, desceu do carro sorrindo, mas sentindo o tom de protesto adentrou rapidamente o pavilhão do evento. Logo, foi vaiado. A indiferença deixou-me colérica e me envergonho em dizer que proferi alguns xingamentos pessoais como “covarde”, assim que findadas as vaias. Ter um engenheiro sanitarista como secretário da educação é tão marcante quanto ter uma professora como ministra da pesca. Indigna-nos, mas qual deve ser o tom da indignação? Falas alteradas, tons desmedidos podem revelar, de fato, uma estupidez emocional. Mas é possível traduzir um desafeto tamanho em tom brando ou em poucos caracteres com o presente espaço?

Não temos dinheiro para levar à opinião pública em horário nobre a verdade sobre os fatos. A imprensa não noticiou uma palavra sequer sobre nossa conversa com o governador logo na entrada da Expoville. Quando pudemos perguntar sobre o dinheiro do FUNDEB e o governador nos respondeu “Você não arranca tão fácil esse dinheiro dos poderes”, percebi que não é apenas o governo que nos deve. Vejamos, entramos com uma ação na justiça para tirar da justiça um dinheiro que deveria ter sido destinado à Educação. Não é difícil prever o desfecho. Diga-se que nas entrevistas oficiais o governador não fala nada sobre o FUNDEB.

Um discurso lindo faz o Brasil acreditar que há preocupação com a Educação, quando o processo de evasão docente já começou, os cursos de licenciatura estão fechando e já há disciplina com deficit de professor! Parece que são vários leões para driblar até que a tabela do MEC seja cumprida: governo do Estado de Santa Catarina, Tribunal de Contas, Ministério Público e Tribunal de Justiça. Sem se esquecer da imprensa que só nos dá espaço na coluna de opinião e dos comerciais pagos pelo governo afirmando que não queremos negociar, sendo que estamos sendo roubados! A tabela do MEC não está sendo respeitada pelo governo do Estado. Como podemos esperar uma auditoria, quanto ao dinheiro do FUNDEB, que venha a nos favorecer? Fica bem difícil driblar a cólera, ou melhor, fica difícil não cogitar abandonar a carreira.

Aline Pereira

De acordo com o Tribunal de Contas do Estado, a verba do Fundeb, repassada pelo governo federal, deve ser destinada somente à educação: 60% para os salários dos professores e 40% para manutenção das escolas públicas. Mas.....

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PARTICIPE DA ENCHENTE! por Aline Pereira

Artigo Publicado no Jornal ANotícia em 16/03/2011

 

Participei da enchente do dia 10 de março. Desta vez, não como espectadora, mas como pedestre de pés descalços do Centro de Joinville. Pena, já era dia 10! Um dia antes, nossas autoridades teriam molhado seus sapatinhos de couro em pleno desfile de comemoração dos 160 anos da cidade. Digo que foi curioso sentir, literalmente na pele, os motivos das reclamações que já ouvira por alto nos ônibus e esquinas.

Pude constatar situações que atingem do consumidor ao lojista, do mendigo ao burguês; observar, por exemplo, os sacos de lixo obedecendo à correnteza das águas da 9 de Março, que, certamente, chegariam às águas do Cachoeira; o desespero da criança agarrada com seus tentáculos ao colo da mãe; o proprietário da lanchonete e seus funcionários com água nas canelas, sentindo choques nas pernas enquanto geladeira e freezer não eram desligados; os motoristas de ônibus, preocupados com sua máquina, acelerando o ônibus no meio d’água e acabando por formar ondas de tamanho suficiente para atingir os pedestres que buscavam manter-se secos sobre canteiros e elevações.

Das 19 às 22 horas, esperei a água baixar para poder enxergar bueiros e declives sem correr o risco de focinhar naquela água barrenta. Estava sem comer, sem poder descansar do trabalho, contudo, foi apenas um pequeno número de horas de um dia qualquer, experiência que me oportuniza a corrente narrativa.

E quanto aos lojistas, funcionários do comércio e todos aqueles que precisam passar pelo miolo do Centro da cidade todos os dias? Foram dez cheias desde o início de 2011!

Seria oportuno que representantes do governo local e sábios em geral ficassem ali em pleno momento fatídico, encarando de perto e se expondo como um bom repórter se expõe para não perder os detalhes inimagináveis, e isso poderia incluir: o cheiro de excrementos, o choro contido da criança, o desespero dos lojistas, a correnteza das águas da 9 de Março. Quem sabe, assim, pessoas ocupadas da coletividade pudessem se inspirar ali – no meio d’água podre – naquilo que mais se espera: boas ideias para amenizar o caos.

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O "casqueiro" citado nas olimpíadas de Língua Portuguesa

Artigo publicado no Jornal Anotícia em 07/11/2010, comentando as crônicas dos alunos da E.E.B. Dr Tufi Dippe, que assuntaram o "Casqueiro" relacionando-o à proposta "O lugar onde eu vivo" das olimpíadas de Língua Portuguesa.



Bem, não é casqueiro, pessoal, é sambaqui. Há conchas importantes por lá, empilhadas ao longo da história de Joinville. Mas o nome usado pelos alunos da Escola Dr. Tufi Dippe é casqueiro, apelido consagrado da praça Davi da Graça, que integra uma área de lazer e um sambaqui. Para instigar também nosso aluno leitor, seria preciso manter o apelido.

Crônica é o gênero proposto pelas olimpíadas de Língua Portuguesa aos alunos da 8ª série ou 1º ano do ensino médio. É gênero polivalente. Exibe histórias do cotidiano, então é narrativa; exibe pontos de vista, então bebe na fonte do artigo de opinião. Aconselha-se que não seja aguda, mas pertinente a algum aspecto das gentes. Que seja crítica, mas com humor. “É coisa de escritor”, manifestam os alunos.

A proposta possibilita, com o tom confessional da primeira pessoa do singular e o tema “O lugar onde eu vivo”, que conheçamos apontamentos dos alunos com relação à cidade e ao bairro. O mais discutido foi a situação do Casqueiro. “Quando falamos que vamos ao casqueiro, todos nos olham com preconceito, pois acham que lá só tem pessoas de mau caráter, mas o casqueiro é um lugar onde os garotos se reúnem para jogar bola, onde os pobres se divertem para que tenham lazer no seu final de semana.” O trecho do texto da aluna demonstra sentimento comum a muitos; especialmente dos que nasceram nas redondezas e associam o local a uma história pessoal. Narraram as peladas de sábado; alguém lembrou do dia em que adotou cadelinha abandonada; até comentaram os tempos em que a família ia ao local no domingo.

Parece que já estão sendo feitos reparos. Há promessas de que sejam instalados neste espaço uma academia da melhor idade, brinquedos infantis e a revitalização da quadra de futebol de areia. A intenção já não é pedir melhorias ao local. É dar voz às prioridades da criança e do adolescente. É fazer valer sua fala valorizando os espaços coletivos de integração. Que o apelo desses jovens, por meio de seus textos com relação ao espaço “casqueiro”, seja um convite para que outras praças sejam revitalizadas, oferecendo limpeza, lazer e segurança.

É possível que, mais que descobrir escritores, um dos principais objetivos da olimpíada promovendo “o lugar onde se vive” seja a reflexão acerca do universo social. Cá está o resultado da proposta do Ministério da Educação e Cultura: um breve diagnóstico acerca do universo do aluno.


× Seguem duas crônicas selecionadas entre muitos textos bons. Entretanto, as duas que seguem não citam o Casqueiro.

Problemas da Modernidade na Minha Cidade
Renan Schoenhaus/ 8ª série


Certo dia eu e minha mãe fomos ao Pronto-Atendimento da zona norte para retirar uma verruga do meu braço; até porque não pega bem para um garoto de 14 anos uma verruga enorme no braço. Apesar de muitas reclamações da população em relação aos atendimentos médicos do SUS em Joinville, fomos atendidos muito bem. Depois que tudo estava pronto fomos ao ponto de ônibus para voltarmos para casa. Quando entramos no ônibus minha mãe sentou-se no assento preferencial antes da catraca, pois estava com meu irmão pequeno no colo, e eu fiquei em pé ao lado dela.

Em Joinville, o sistema de cobrança do transporte coletivo já é "mais avançado". Para pegar o ônibus é necessário comprar o vale-transporte nos pontos de venda. No local onde antes havia o cobrador agora fica uma catraca equipada com um dispositivo onde você insere o vale-transporte liberando a catraca.

Já eram 17 horas quando entramos no ônibus. Estávamos chegando ao centro e um congestionamento enorme nos atrasava. Já era de se esperar, porque com 270 mil veículos circulando pela cidade e lógico que vai haver congestionamento! O ônibus praticamente não andava e uma senhora no meio do ônibus lotado começou a se lamentar, já que teria que buscar seu neto na escola, mas não daria mais tempo: sua filha ficaria desapontada com ela. Outros passageiros também começaram a reclamar do atraso.

Depois de 45 minutos, enfim chegamos ao centro. Mas não esperávamos que surgiria outro problema além do congestionamento. Quando entramos no ônibus ao sairmos do P.A, eu inseri o vale-transporte e girei a catraca, mas não passei. Na hora, nem me dei conta do problema que iria causar. Após todos os passageiros terem saído do ônibus, eu e minha mãe permanecíamos presos.

Conversei com o motorista, tentei convencê-lo de que eu já havia girado a catraca, mas ele criticou a minha atitude dizendo que eu não poderia ter feito isso, que eu deveria ter passado a catraca. Então o motorista, alterado por conta de tantas reclamações devido ao atraso, chamou o fiscal para saber se podia nos liberar ou se teríamos que pagar outro vale-transporte. O fiscal veio, repetiu o que o motorista havia reprovado e finalmente nos liberou.

Se ainda existisse um cobrador seria mais fácil para os usuários do transporte coletivo, pois seriam evitados problemas como esse. Por conta do avanço tecnológico muitos homens foram substituídos por máquinas "mais eficientes" e perderam seus empregos. É irônico verificar que os seres humanos criaram os robôs para facilitar sua vida e, agora, os enfrentam. Eu teria pago ao cobrador o valor do vale-transporte e ele poderia ter falado ao motorista que eu já havia pago. Como é tudo robotizado o motorista, que não presenciou a cena, duvidou da minha palavra e teve que chamar o fiscal. O fiscal acreditou na minha palavra e nos dispensou.



Uma cidade com ritmo
Giovana Luíza Heck/8a 01


Usando os termos mais populares posso dizer que não sou joinvilense, por não ter nascido aqui, mas neste momento estou joinvilense. Em comparação da pequena cidade serrana de onde vim, entre muitas outras das quais morei - além da dimensão da cidade e a violência que a cerca -  Joinville contém uma das atrações turísticas mais diferenciadas, o Festival de dança de Joinville é sem dúvida a maior sensação da cidade.

Acabo de me lembrar de uma dessas apresentações de dança que me chamou muita atenção: o sapateado. Durante toda a apresentação não movi um músculo do meu corpo , não sei por que mais aquilo me prendia a atenção, aqueles garotos e garotas batiam o pé no chão com tanta firmeza, com aqueles olhares que diziam tudo o que eles estavam sentindo naquele momento , não sei explicar o que sentia mais era diferente , tal qual a emoção da criança que descobria um mundo novo , tal qual um amor a primeira vista , ao meu redor haviam os que riam os que aplaudiam os que contemplavam os que criticavam os que esnobavam mais poucos que como eu admiravam.

E agora, pensando bem, esse festival poderia durar mais tempo, tempo suficiente para que as pessoas não apenas se contagiassem pelo espirito da dança, mais que também passassem a vive lo. Quisera eu que fosse assim todo o dia. Que a dança se fizesse presente a todo tempo. Mas já que não é bem assim, eu aproveito enquanto não acaba esse festival de sensações.






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Professora de Língua Portuguesa e Literatura da rede pública estadual nas séries de Ensino Fundamental e Médio. aline.correio@gmail.com

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